Carta.

Sem destinatário. Sem remetente. Sem um mísero nome pra identificar.

Quem não queria expor o coração ao sol agora acha que um pouco de vitamina D faria muito bem. Pra espantar o mofo, pra dar brilho, pra ter vida.

Sem pensar em nexo se despiu. Do medo, da vergonha, do pudor. Abriu o peito pra mostrar pro mundo o que havia ali dentro.

Mas com o nome do destinatário ainda quer fazer mistério.

Garoa.

​Em São Paulo sonho todas as dúvidas que deixei em Porto Alegre. 

O que eu não tinha certeza virou saudade. Do cheiro, do toque, do sorriso. O jeito manso de ir entrando na minha vida, abrindo todas as portas e janelas que eu achava que estavam fechadas.

A garoa paulistana me fez notar que tenho um sol que brota flores no meu peito e fazem borboletas voarem pelo meu estômago.

Conta os dias que logo eu chego. Que logo entrelaço minha mão na tua.