Faz tanto tempo.

Amor, faz tanto tempo.

Acho que não lembro mais do teu rosto e nem da tua voz.

É engraçado, porque – às vezes – ainda sonho que está do meu lado.

Mas, na verdade, não é tu.

É alguém que eu desejava que tu tivesse sido sempre.

Aquele alguém que tu era – que nós éramos – lá no início.

Porque o que dá saudade mesmo é o passado.

 

Advertisements

Aprendiz.

Na verdade, nada é exterminado, ou morto.

As coisas viram aprendizado. E um dia – espero eu – a gente acaba conseguindo olhar para trás e não chorar. Porque os momentos bons sempre foram maiores do que os ruins – se é que os ruins foram tão ruins assim.

Um dia a gente deixa de ser aprendiz nos assuntos do coração.

Folga

As pessoas, geralmente, dizem que quando a gente desiste é porque algo está chegando ao fim.

Mas e se o fim chegou e ainda queremos o que tínhamos antes, o que devemos fazer?

Será que significa que o fim não chegou?

Ou será que o que era antigo vai se transformar em algo novo, algo mais bonito, mais sutil, mais leve.

Talvez, às vezes, a gente só precise dar uma folga pro coração.

Mesmo no final, eu só lembrava das coisas românticas:

Daquele momento quando pegou a minha mão no cinema e disse: “Isso é um assalto”.

E nesse mesmo local o primeiro beijo, singelo, devagarinho como quem não quer assustar o outro.

Também lembro daquela vez, naquele parque, em que me contou tudo e disse não acreditar em “pra sempre”.

Conexão

Sinto o teu cheiro e compro tua cerveja.
Ligo a tv e finjo que te tenho do meu lado.

Lembro da tua respiração no meu pescoço
Ao sussurrar no meu ouvido aquela canção.

Falsifico tua companhia:
Olhando pra aquela foto
Ouvindo tuas músicas

Conto os passos daquela dança
Aquela que eu nunca dancei
Só imaginando tua mão na minha
E o meu rosto no teu

Tento entender tuas palavras
Por essa conexão atrapalhada,
Tua janela abre antes
Numa atração inusitada.

 

Contradizendo

Quero que a moral seja: “Vou falar e não espero nada em troca”. Só quero que tu fique quieto e entenda, ou não.

Só quero dizer o que eu quero e não te ouvir tentar mudar os clichês, porque eu vivo um clichê, o da guria do interior que veio pra cidade grande em busca do amor, do amor no âmbito amplo.

Eu já disse que até gosto de clichê, porque se é clichê é porque todo mundo fala sobre, e se todo mundo fala sobre, é porque todo mundo já sentiu, e se todo mundo já sentiu, não sou eu que vou deixar de sentir. Também quero uns clichês pra mim.

Queria evitar os clichês, mas eu gosto deles.

Já sei o que eu vou fazer. Vou falar os clichês de um jeito diferente, vou encobrir os clichês. Quem pode descobrir?

Pseudo-relato de uma noite como essa

Não quero ter que escolher entre o pra sempre e o efêmero.

Hoje quero ficar no limbo.

Vou dar um tempo nos clichês.

A vida já é bastante complicada e ver as pessoas levando os clichês a sério como se fossem teorias de vida, cansa.

Cansei de pessoas falando toda hora de teorias, das mais diversas. Teorias de comunicação, de relação, do coração.

Cansei, a partir de agora só quero os clichês inevitáveis.

Mas se eu puder evitá-los por um tempo, farei.

O esquema é deixar no ar, se abrir demais não rola. Acho que sempre foi isso que o mestre tentou nos ensinar, só que foi de maneira meio torta porque nem ele mesmo consegue.

Confesso que traumatizei um pouco, o que não significa que eu estou desistindo.

A esperança não morreu, só foi dar um tempo e passear pelo mundo.