Trigo.

Leu as palavras.
Achou que era mentira.
Fingiu que não entendeu.
Mas sabia o que havia nas entrelinhas.

Aceito uma xícara de chá e um copo de cerveja.
É só cobrar que eu vou.

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Veneza

Ela resolveu viajar. Vai ir pra esse lugar que dizem ser mágico. Cheio de sol e de mar. Com natureza em todo redor. Peixes coloridos e até tubarão.

Cuidado quando entrar no mar. Vê se leva o protetor solar.

Orion.

Vontade de deitar de barriga pra cima.

Com os olhos para as estrelas.

Procurando aquela constelação.

Imaginando o que será que existe no universo.

Sentindo a brisa acariciando a pele.

O sereno refrescando o coração.

 

“Ali estão as Três Marias”.

Logo os olhos acham o caçador.

Vai ver o mundo, menina.

Ai, menina… por que choras sempre na mesma época?

É tão difícil abafar esse sentimento por mais de um mês?

Então, muda de trabalho, de cidade, de vida.

Finge que nada aconteceu, que nunca conheceu, que nada se quebrou.

Acredita no amor. Sem ter medo, sem esperar por sinais.

Curte a natureza, a beleza e até o erro.

Vive sem esperar por nada em troca.

Conversa com o eu-lírico

– Sobre o que tu gostaria de escrever?
– Nâo sei. Sobre a vida.
– Isso soou como uma pergunta. Tu sabe o que quer não sabe?
– Talvez. Quero escrever para inspirar.
– Mas de que modo tu pretende fazer isso? Há mil caminhos, tu já sabe qual seguir?
– Não tenho certeza. Acho que deve ser através das palavras. Mas como eu poderia ter certeza?
– Quando queremos muito algo não temos dúvidas.
– Então, não deve haver algo que eu queira tanto.
– Ah… Deixa disso. Deve existir algo que te deixe extasiada, algo que tu queira falar sempre.
– Na verdade existe.
– E o que é?
– Gosto de escrever sobre caminhos a serem trilhados, que ainda não foram descobertos. Gosto de escrever sobre amores que dão errado, e também sobre aqueles que estão dando certo.
– Aí está tua resposta, guria. Escreve sobre isso. Escreve sobre tudo isso e me manda pra eu dar uma olhada. Se tu for boa mesmo. Se for inspirador eu acho alguém que vá te encontrar. Pode ser até que tu tenha uma coluna em um jornal ou revista, talvez até escreva um livro.
– Mas e se eu fizer das minhas histórias um roteiro de filme?
– Te colocamos em Hollywood, então. Só não desiste. Escreve… sobre o que for. Escreve sobre o que der prazer. Quem sabe algum dia tu te acha.

Sonho

Escrevo mil palavras veladas que nunca serão publicadas.

Qual é o nosso problema?

Queremos fugir na hora de ficar. Queremos ser maiores do que tudo.

Queremos viajar pelo mundo para pensar se queremos voltar.

Atravessar o mar, fazer diferente, fazer algo que valha a pena, que seja maior do que nós.

Quero um sonho para sonhar, algo por que lutar.

E só peço que, quando eu estiver sonhando, você não tente me acordar.

Inacabado

Conheci um músico que não acreditava na própria música.

Queria ser imitação dos grandes astros do blues e do jazz.  Regravava tudo o que encontrava. Um dia sem querer escreveu uma canção, fez toda melodia e até o refrão.

Caminhava pelas ruas sozinho. Caminhava de noite, nas noites frias de julho. Gostava de olhar as estrelas, mas não gostava de pensar no tamanho do universo. Não era aventureiro. Acreditava na tranquilidade de seu espírito. Não queria ser um músico famoso, nem ganhar dinheiro. Só queria inspirar as pessoas a fazer o bem sem esperar nada em troca.

Era sozinho. Quando cantava as músicas dos seus ídolos não era pra ninguém em especial. Cantava pro mundo, pra vida.

 

Mas um dia, em uma das esquinas em que costumava desabafar as notas de seu violão, cruzou por ele uma menina que ali ficou durante tempo demais. Ela ouviu seu som durante mais tempo do que qualquer um, talvez tenha prestado mais atenção à música que ele tocava do que ele mesmo.

Ele não conseguia tirar os olhos dela. Seus olhos brilhavam de curiosidade. “O quê esta bela menina pode querer parada na minha frente, ouvindo um músico ruim como eu? Ela deve estar perdida, deve precisar de informações.”

Não parou o que estava fazendo para dar informações à menina. Continuou tocando, afinal a música não pode parar a não ser que esteja em seu final. Não gostava de começar algo e ser interrompido no meio. Não se interrompia. Quando começava algo, o  que não era sempre, pelo menos acabava.

Foi o que fez com aquele meio projeto inacabado. Inacabado porque ele devia ser eterno, maior do que ele, alguém devia dar continuidade. Tinha que ser alguém com mais palavras do que ele. Alguém que pudesse adoçar tudo que ele havia pensado até então.

Os olhos da menina brilhavam, mesmo sem as luzes da rua. Brilhavam por brilhar, por necessidade, por ser da sua natureza.

O que havia nela que o atraía tanto? Esse brilho… Por que seus olhos possuem essa luz toda mesmo sendo noite?

 

Deve ser um sonho.