Conversa com o eu-lírico

– Sobre o que tu gostaria de escrever?
– Nâo sei. Sobre a vida.
– Isso soou como uma pergunta. Tu sabe o que quer não sabe?
– Talvez. Quero escrever para inspirar.
– Mas de que modo tu pretende fazer isso? Há mil caminhos, tu já sabe qual seguir?
– Não tenho certeza. Acho que deve ser através das palavras. Mas como eu poderia ter certeza?
– Quando queremos muito algo não temos dúvidas.
– Então, não deve haver algo que eu queira tanto.
– Ah… Deixa disso. Deve existir algo que te deixe extasiada, algo que tu queira falar sempre.
– Na verdade existe.
– E o que é?
– Gosto de escrever sobre caminhos a serem trilhados, que ainda não foram descobertos. Gosto de escrever sobre amores que dão errado, e também sobre aqueles que estão dando certo.
– Aí está tua resposta, guria. Escreve sobre isso. Escreve sobre tudo isso e me manda pra eu dar uma olhada. Se tu for boa mesmo. Se for inspirador eu acho alguém que vá te encontrar. Pode ser até que tu tenha uma coluna em um jornal ou revista, talvez até escreva um livro.
– Mas e se eu fizer das minhas histórias um roteiro de filme?
– Te colocamos em Hollywood, então. Só não desiste. Escreve… sobre o que for. Escreve sobre o que der prazer. Quem sabe algum dia tu te acha.

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